A curva do COVID-19 no Brasil vem crescendo e uma das consequências disso é a falta de materiais de proteção já sentida em algumas regiões. Já há dificuldade na compra de alguns equipamentos de proteção individual e por isso algumas universidades se uniram no combate ao coronavírus e estão produzindo máscaras para serem utilizadas nos hospitais por profissionais da saúde.

O exemplo surgiu em outros países onde pesquisadores de universidades utilizaram impressoras 3D para produzir vários equipamentos, desde máscaras até válvulas de reposição para respiradores. As máscaras produzidas no Brasil nesse processo de impressão 3D são chamadas “face shield”. Ela é formada por um suporte e uma película de plástico que cobre todo o rosto.

Toda essa produção é possível porque a Anvisa publicou um decreto na segunda-feira (23) que permite, excepcionalmente, a fabricação de equipamentos de proteção sem autorização ou notificação ao órgão, desde que cumpridas as exigências de controle sanitário.

Universidade Federal Fluminense (UFF)

A iniciativa na UFF começou com um grupo de professores da Escola de Engenharia, formado por Marcio Cataldi, Daniel Henrique Nogueira Dias, Ivanovich Lache e Ricardo Carrano e o professor da Faculdade de Medicina Jano Alves de Souza, juntamente com o mestrando do Programa de Engenharia e Biossistemas (PEGB-UFF), Lucas Getirana de Lima. O material utilizado para fabricação é de baixo custo, como acetato e silicone e eles já estão recebendo pedidos de vários hospitais, inclusive fora do Rio de Janeiro.

Universidade Federal da Paraíba (UFPB) 

Nesta semana a UFPB, através dos pesquisadores do Laboratório de Fabricação Digital (Fablab), também começou a produzir máscaras em impressora 3D. A ideia é distribuir essas máscaras para os profissionais de saúde do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa e outras unidades de saúde da Paraíba. Até essa quinta-feira (26), foram fabricadas 50 unidades e a perspectiva é que na próxima semana serão produzidas aproximadamente 500 máscaras.

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

As 3 impressoras 3D da UFPel têm capacidade de produzir 30 máscaras por dia e o estoque de material será suficiente para produzir ao todo aproximadamente 400 máscaras que serão doadas a profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é que eles arrecadem mais insumos para que essa produção vá além.

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC- Rio) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)

 A UFRJ, a PUC-Rio e a Unirio estão trabalhando em parceria para entregar equipamentos de proteção. Os foram desenvolvidos pela UFRJ e validados pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Na PUC-Rio são 16 impressoras 3D funcionando no Laboratório de Volume e Prototipagem e além dos protetores faciais, serão produzidas máscaras N95, que também já estão em falta em unidades de saúde.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Alunos voluntários da Escola de Engenharia e da Faculdade de Arquitetura da UFRGS estão utilizando as impressoras dos seus laboratórios e outras emprestadas para a produção das máscaras que serão doadas aos hospitais de Porto Alegre.

Outras Universidades

Ao redor do Brasil, muitas universidades se uniram a essa campanha e estão produzindo equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde conforme a sua capacidade.

Além das máscaras, muitas instituições estão fazendo parceria para a produção de álcool em gel também.

Essas iniciativas das universidades de combate ao coronavírus, além de ajudar o país a enfrentar essa crise na saúde, mostrando solidariedade, também prepara ainda mais os alunos para o mercado de trabalho.